09/02/2005
Masquerade...
Bem, e já acabou o Carnaval, época do ano em que a maior parte do mundo se entrega à folia mascarando-se cada um a seu belo prazer. É nesta época que o Rio de Janeiro é a capital do mundo do Carnaval, tendo sido esse espectáculo que são os desfiles de escolas de samba preparados durante o ano inteiro, empenhando-se muitas vezes até a alma para pagar os fatos e os carros. Em Veneza, passam gôndolas com os seus mascarados a bordo, sendo estas máscaras primordiais nos seus mistérios e tentadoras na sua beleza. Em Espanha, principalmente no sul, cantam-se as Chirigotas, em que se apregoam à desfilada os males de cada dia e de cada um. Em Portugal tenta-se imitar os brasileiros, sem esquecer o nosso moaravilhoso humor satírico do costume.
É nestes dias que cada um põe a máscara que mais lhe apetece para brincar incógnito, para se sentir invisível ou para que sendo visto, não seja reconhecido. Há ainda aqueles que usam as máscaras de todos os dias, prendendo-se às mesmas convenções, às mesmas ideias, aos mesmos rituais.
Nestes dias há tudo isto, mas para uns poucos estes dias servem ainda um outro propósito: serve para que se tirem todas as máscaras e para que a verdadeira essência de cada um venha ao de cima, mostrando-se como se é realmente. Pode ser-se então mago, mostrando os nossos desejos de poder, viajar para uma época distante com um traje da idade média ou do século XVIII, ser um dançarino de mambo, uma lutadora, uma fada, um rei ou um palhaço sem que quem quer que seja possa criticar ou epitetar alguém de louco, maricas, bruto, altivo, ou simplesmente exagerado.
Esta é para mim a altura em que as máscaras caem e em que cada um de nós é finalmente livre de voar pelo céu que lhe apetecer. Só é pena que não possa ser sempre assim, que não possamos mostrar sempre a nossa verdadeira essência... escondida quase sempre por detrás da máscara de todos os dias.
20:15 Permalink | Comments (3) | Email this


